— Eu sou cristã, mas, mesmo no tempo em que gostava de carnaval, meu negócio era assistir. Hoje, sou da Assembleia de Deus e participo de uma mesa de oração. Vou orar para que o Nelson traga sorte à escola — afirma a viúva, de 69 anos, que vai assistir ao desfile na Sapucaí com a neta Taísa, de 11.
Filha de Dorvalina, Márcia Regina, de 48 anos, vai desfilar no abre-alas, ao lado de Nelson Luiz Silva, de 54 — caçula e único filho vivo do compositor. Enteada do homenageado, que ajudou a criá-la desde os 6 anos, ela é responsável pela preservação de parte da obra dele.
— Ele não sabia usar o gravador e me acordava de madrugada, bêbado, para gravar as músicas que compunha. Por isso, sei todas as letras — relembra, rindo das brigas que tinha com o artista pelo sono interrompido.
Antes dessa fase, algumas letras teriam se perdido.
— Ele fazia música até no chuveiro. Saía, anotava a letra no papel de pão e dava para alguém gravar. Se perdesse e o procurasse de volta, dizia: "Essa já foi..." — conta Nelson Luiz, que desfilará com a filha Simone,de 35 anos, e os netos Felipe, de 16, e Gabriel, de 13.
Inspirado pelo enredo, Nelson Luiz, funcionário de uma empresa aérea, tomou coragem para mostrar o lado compositor:
— Já fiz uns três sambas, mas este é o primeiro que vou lançar. Chama-se "Saudades" e fala de "Folhas Secas" (sucesso do pai). Quero entregá-lo para a Alcione.
Além da forte religiosidade, pelo menos uma passagem de Nelson Cavaquinho é recorrente entre os amigos de boemia: a do cavalo que, cansado de ficar ao sol no pé do Morro da Mangueira, foi sozinho para o quartel. Na época, o então soldado da Polícia Militar fazia rondas pela região, mas perdeu-se de encanto pelo samba que tomava conta de um bar no Buraco Quente.
— Ele insistia para me levar ao bar para mostrar aos amigos. Um dia, minha mãe liberou, mas, desconfiada, foi ver o que acontecia. Eu, com pouco mais de 1 ano, estava com a roupa batizada de refrigerante e passando de colo em colo... Ela me levou para casa e me limpou com álcool. Meu pai dizia: "Minha filha, não faça isso!" — revela Nelson Luiz.
A mãe do filho caçula do compositor lembra detalhes do dia em que Nelson Luiz nasceu.
— Comecei a sentir dor às 15h. O Nelson foi fazer um show e voltou às 5h. Agarrei no pescoço dele e o menino nasceu. Só estava esperando o pai! — diz Onélia Silva de Melo, de 79 anos, que se desencantou com um Nelson mulherengo, que reconquistava os amores com bilhetes românticos.
— Um dia cheguei em casa e encontrei uma mulher com o meu avental e o meu chinelo...
Dorvalina, que o acompanhou nos últimos 18 anos de vida, inspirou duas músicas.
— "Mulher sem alma" ele fez contrariado por eu ter ido visitar minha mãe, em Caxias. "Minha festa", quando estava tudo bem — conta ela, que visitou o barracão sexta-feira, aniversário de 25 anos de morte do compositor.
"Minha festa" é a apoteose do enredo da Mangueira.








A Beija-Flor de Nilópolis conquistou o título de campeã do Grupo Especial no Carnaval 2011. A vitória é fruto da escolha do cantor Roberto Carlos, como enredo e que trouxe muita emoção para o desfile, ofuscando problemas que a escola teve e que não foram percebidos pelos julgadores. 

Em ritmo de desfile oficial, a Imperatriz Leopoldinense concluiu a sua temporada de ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí. Agora a escola de Ramos só volta a pisar na Avenida no próximo domingo, dia do desfile oficial da verde-e-branca. Na noite deste sábado, a escola aproveitou o sistema de som em toda a Avenida para treinar o canto de seus componentes e acertar alguns detalhes na evolução e na harmonia. O Sambódromo estava lotado para acompanhar as duas escolas de samba desta noite, Imperariz e Beija-Flor. Boa parte dos camarotes já estava ocupado, o que deu um clima a mais de carnaval.
- Hoje testamos o entrosamento entre bateria e canto e se os componentes estão cantando. Na minha avaliação foi positivo. A Imperatriz tem tudo para fazer um grande desfile. Estamos testando as alegorias: tirando elas do barracão e colocando pulando gente em cima. Tudo para que não se repita o que aconteceu com nosso abre-alas em 2010 - disse Wagner Araújo, diretor de carnaval.
O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira, Phelipe Lemos e Raphaela Teodoro, estreante na escola, se apresentou ainda no primeiro setor. Os dois optaram mais uma vez por treinar fantasiados. Na apresentação para a quarta cabine de júri, eles precisaram enfrentar um pouco de vento. Mesmo com a adversidade climática, a dupla mostrou tranquilidade e alegria, parecendo bem à vontade.
Ciente de que tem um bom samba-enredo, mas que precisa ser cantado a plenos pulmões no desfile oficial, a diretoria de harmonia espalhou vários diretores nas laterais da pista. A missão deles era incentivar o canto daqueles componentes mais distraídos. A todo momento era possível ver a movimentação desses diretores, que também ficaram atentos na correta evolução dos integrantes, para que não se formasse buracos ou mistura de alas.



Além de ver o sonho do título inédito virar cinzas, a Acadêmicos do Grande Rio também teve uma perda muito relevante em seus bens patrimoniais e históricos. De acordo com o assessor de imprensa da Tricolor de Caxias, Avelino Ribeiro, a agremiação não perdeu só toda a produção do desfile de 2011, mas registros históricos e toda a megaestrutura que servia aos trabalhadores do barracão e aos dirigentes da Grande Rio.
Em meio ao clima de velório presente na Cidade do Samba na segunda-feira foi possível perceber a presença de membros de diversos segmentos das agremiações afetadas. Responsáveis pelo coração de suas escolas de samba, ritmistas de Portela, Grande Rio e União da Ilha marcaram presença no início da reconstrução do Carnaval de suas agremiações. Os integrantes das três baterias prometeram pôr a mão na massa e ajudar no mutirão.